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BASTÃO QUE FALA
Você
comunica a Verdade?
Isso mesmo, a verdade. É muito difícil para algumas pessoas dizer a
verdade. Elas se perdem em seus pensamentos enganosos acreditando
sempre que estão enganando ou mentindo para alguém, quando na
verdade enganam a si mesmas e mentem para o seu coração.
O Bastão-que-fala ou Pau Falante é um grande auxiliar na mão de quem
o carrega e na de quem o segura. Muito usado pelos nativos
norte-americanos hoje vem se propagando por todo o mundo, em
diversos continentes como um instrumento que nos remete a dizer a
verdade.
Ouvi alguém dizer em um dos trabalhos que participei que o bastão se
tornou uma coisa morta, que perdeu a sua medicina. Uaú!!!
O bastão é uma medicina bem antiga para se perder assim, o que mais
me chama atenção é que essas pessoas que falam isso são as primeiras
que não respeitam nada, mais como alguém desrespeitou antes ela se
acha no direito de criticar.
´´O bastão-que-fala é um instrumento de poder usado com o objetivo
de que cada um de nós aprenda a honrar o Sagrado Ponto de Vista de
todas as criaturas vivas. Nas reuniões de Conselho devemos honrar a
sabedoria e os ensinamentos dos outros para que possamos ampliar
nossos conhecimentos e nos relacionar de uma forma mais criativa com
as outras pessoas. Sabemos que a Grande Roda da Vida possui muitos
raios e que cada um de nós passa por todos os raios, mais cedo ou
mais tarde. As lições que aprendemos em cada um destes raios nos
colocam perto da Totalidade e da Harmonia. Ao desenvolver a
paciência para com aqueles que não aprenderam ainda essas lições,
teremos a oportunidade de nos tornar mais íntegros e harmonizados.´´ (Jamie
Sans – As Cartas do Caminho Sagrado)
O Bastão não tem uso restrito, porem o processo que se tem para
adquiri-lo pode ser bem profundo.
Vou escrever abaixo a minha experiência com o bastão e logo em
seguida colocar alguns arquétipos que transformam um simples ´´pedaço
de pau´´ em uma parte do corpo do Povo em Pé.
Desde que iniciei minhas buscas no Sagrado Caminho Vermelho sempre
fui abençoado com diversas medicinas. O encontro com meu animal de
poder, a medicina do tabaco e do Cachimbo, e muitas outras que hoje
fazem parte de um trabalho bem profundo de re-conexão com o SER.
Gosto muito de caminhar na Natureza e sempre que ia nessas andanças
saia com um propósito, encontrar meu bastão. Não estava em busca de
um pedaço de pau, queria algo vivo, uma parte do corpo do Povo em
Pé. Mais acredito que por estar sempre ansioso isso não acontecia.
Ganhei um pedaço de madeira para fazer um bastão, até cheguei a
monta-lo, mais não tinha força em minhas mãos e acabei colocando ele
na Fogueira Sagrada para desprender o seu espírito.
Depois de muito tempo, estava em um trabalho de Ayahuasca com um
amigo, e aquela noite prometia muita coisa interessante. E foi o que
aconteceu, após alguns minutos depois de consagrar a Maestra
Ayahuasca comecei a me deslocar para outra realidade e de imediato
fui jogado a uma maravilhosa ´´Miração´´.
Eu estava sentando em uma pedra grande, e na minha frente uma grande
fogueira clareava a noite. Comecei a escutar uma canção tocada com
uma flauta, e ao mesmo tempo sons de passos vinham ao meu encontro.
Imediatamente chamei o meu Animal de Poder e meu mentor. Assim que
vi os dois ao meu lado fiquei mais à vontade, mas meu mentor se
virou pra mim e disse:
´´Não tenha medo, aprenda a ouvir, escute com o coração e de forma
alguma tente gravar em sua mente a experiência que vai ter hoje´´.
Relaxei, e a canção se aproximava cada vez mais e mais e mais, até
que vi uma pessoa, de cabelo arrepiado, na verdade não sabia se era
uma pessoa, ou um animal, ou mesmo um Enteal, mas como meu animal de
poder permaneceu ao meu lado fiquei mais tranqüilo e decidi deixar
aquele ser se aproximar.
A sua música começou a me hipnotizar de tal forma que eu não
conseguia mais distinguir o que era ele e o que era o fogo. Fiquei
um bom tempo perdido, até que daquele fogo saiu o Ser Místico
Kokopelli, com uma flauta toda decorada na mão e ele a tocava pelo
nariz, tinha os cabelos bem grandes e arrepiados e sua fisionomia
era a de um corcunda mais chegou dançando alegremente.
Ele começou a falar comigo de uma forma toda poética, e eu de cara
não entendia muito o que ele dizia, mais me lembrei da mensagem do
meu mentor, que era para aprender a ouvir.
Fiquei ali sentado e ele dançando e tocando sua flauta, nas pausas
dizia coisas bem profundas sobre minhas buscas, me auxiliando
naquele encontro comigo mesmo.
Derepente se abriu uma porta no meio do fogo e a imagem de um jardim
veio aos meus olhos. Havia um bastão ali parado, bem próximo de uma
arvore maior. Ele não tinha deformidades ou curvas, era reto. Na
hora fiquei só olhando e ele me disse para pegar e ver todos os
detalhes. Fiz isso imediatamente, aquele pedaço de arvore tinha
tanta energia que mal conseguia segurar na mão, mais fui olhando os
detalhes, um por um, fiquei muito tempo apreciando aquele
instrumento mágico.
Quando acabou a miração pela manhã eu não quis comentar nada com
ninguém, o bastão que fala ia passando e eu só ouvindo os Pontos de
Vista de cada um e tentando compreender o porque de cada um dizer
aquelas palavras.
Na minha vez não quis falar, pois a força da madrecita Ayahuasca
ainda estava em meu corpo e eu queria ficar somente ali e senti-la,
recebendo seu presente de cura.
No dia seguinte pela manhã no jardim de casa estava o bastão que me
foi apresentado na Miração, sem a decoração e as medicinas, estava
ali, igual na miração. Ai me dei conta que estava tendo um Dejá Vu.
Corri e me aproximei daquele bastão e então a árvore em que ele se
apoiava me disse:
´´Pegue-o é seu, leve e prepare-o para o seu trabaho, mais nunca se
esqueça, você não esta segurando um pedaço de pau, o que está em
suas mãos é um Instrumento de Cura, aproveite para meditar com ele
sempre que precisar ficar em silêncio´´
Uaú!!! O que é isso, uma árvore que fala? Naquele momento só
consegui pegar o bastão entre as mãos e sentir a sua energia, igual
a da miração. Sentei um pouco debaixo da sombra que a graciosa Dama
da Noite me fornecia e fiz minha oração de agradecimento.
Ei ali sentado olhando e sentindo a energia daquele bastão que me
foi dado de presente. Estava encantado com todo o acontecimento,
mais queria de imediato dar inicio ao processo de construção dele.
Montei um pequeno altar natural, com incenso, flores, água e vela,
chamei a energia dos quatro animais guardiões e fiquei ali esperando
o momento de dar início ao meu bastão.
Aos poucos fui me lembrando da miração e dos objetos que estavam
presos no bastão.
Na ponta do bastão coloquei um cristal de Druzia, encrostei em forma
aspiral na parte alta do bastão os cristais dos chakras, coloquei
uma peça artesanal de um índio que havia ganhado de um amigo,
acrescentei pele de coelho, e ela ia ficando conforme o da miração.
Coloquei algumas sementes, passei um barbante preto, e algumas
penas, mais tinha um pórem. Havia uma pena no bastão que eu não
tinha em casa, uma pena rajada nas cores preta e branca. Achei que
ia ficar difícil terminar pois faltavam alguns elementos. Deixei ele
alguns dias guardado e quando menos esperava um amigo me trouxe
algumas penas de presente, penas que ele tinha pego em um sitio, e
quando abri o embrulho, quase cai no chão. A pena que eu procurava
estava entre tantas outras que ele trouxera para me presentear. De
imediato perguntei que animal que tinha aquela pena. E ele me disse
que era de Peru. Legal, o importante pra mim era colocar a pena no
bastão e ele estaria pronto.
Terminei a arte toda dele, e na mesma noite tive novamente um sonho
com o Kokopelli, e ele simplesmente me dizia que as outras medicinas
do bastão iriam chegar aos poucos, para eu ter paciência e sentir o
momento de consagra-lo.
Passaram-se alguns dias e senti no meu coração um amor tão profundo
por aquele bastão e pela sua medicina que acabava de chegar que
peguei ele em minhas mãos e comecei a dançar com ele juntamente com
a Lua.
Foi mágico demais aquele momento, parecia que eu e ele éramos uma só
pessoa, estávamos tão conectados que a sensação era de ter
compartilhado com ele em outros tempos, um reencontro.
Quando terminei a dança, fiquei próximo a uma árvore de Pinheiro, e
comecei a observa-la de uma forma especial, e agradeci ela por estar
sempre ali e me trazendo o seu delicioso perfume durante aquela
noite. Agradeci a Lua que compartilhou de sua luz enquanto dançava
com o bastão.
Me despedi de meu bastão e fui dormir, e naquela noite um enteal,
que se parecia com uma árvore veio até mim e disse que o meu bastão
estava consagrado, e que toda a sua magia estava disperta.
Fiquei muito feliz em ouvir aquilo. Ele continuou dizendo que havia
mais uma pena igual a que coloquei no bastão que essa seria usada
como a Pena da Resposta. Mas essa experiência conto em outro texto.
A Medicina do Bastão pode parecer bem simples, mais exige muita
atenção de quem o conduz, pois o silêncio tem que acontecer por si
só, não pode ser um ato pensado, é um acontecimento existencial.
Quando uma pessoa esta com o bastão todos os arquétipos que se
encontram no bastão se apresentam para fazer parte da Roda.
Ouvir o Sagrado Ponto de Vista de cada um, sentir as energias que
estão presentes no momento, tudo isso conduz o participante a um
estado e compreensões profundas. No Xamanismo a palavra tem uma
força muito grande, tanto para destruir, como para criar, portanto
dizer palavras sem antes senti-las é o mesmo que arremessar uma
flecha sem fazer a mira.
Os ensinamentos trazidos pelo bastão são diversos, pois quando
ouvimos alguém contar as suas experiências se estivermos atentos, e
sentirmos cada palavra, aquela história pode nos trazer grandes
medicinas. Respeitar o outro é respeitar a si mesmo, e quando
aprendemos a nos ouvir e sentir o pulsar do nosso coração,
aprendemos a compreender o momento de cada pessoa.
Preste atenção em cada palavra que sai de tua boca veja que tipo de
energia você esta disparando ao Universo, e se não tiver nada a
dizer de bom a alguém simplesmente silencie e se ouça.
Agradeço de coração todos os ensinamentos trazidos pela Maestra
Ayahuasca, pelo ser místico Kokopelli, e por toda nação do ´´Povo em
Pé´´.
Saudações e Gratidão ao Grande Espírito Ma´he´a!
Ah Hey ah!
Anand Milan
(Urso que Dança) |