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Por Chandra Veeresha
Muito
se fala nestas tres tradições sagradas, na atualidade. O que pouca
gente conhece é a semelhança entre elas. Por isso, resolvi escrever
este texto a fim de mostrar que muito embora tenham sim algumas
divergências, na essência, são extremamente parecidas.
O Culto Arcaico da Deusa Mãe (também conhecido como Bruxaria Antiga)
é provavelmente a mais antiga religião Ocidental, segundo
pesquisadores. Se expressa através de imagens, tendo a natureza como
a Grande Mãe. Cultua o sol, as águas, a lua, as pedras, o vento e o
fogo que para lhes é sagrado e se expressa por meio de imagens.
Cultua a vida e a morte.
É incrível a semelhança da antiga Bruxaria com o Xamanismo e também
com o Tantra. Ao contrário do que pensam muitas pessoas, estas
culturas são muito próximas. Todas tem como centro a deusa; a
mulher; a fêmea. São todas culturas matriarcais. Todas são também
ritualísticas e tem a natureza como principal palco para suas
cerimônias.
Os ritos começam desde a organização do espaço sagrado, passando
pelas suas vestimentas, alegorias, imagens e símbolos.
No xamanismo e na Bruxaria existe sempre a evocação das divindades e
das Forças na Natureza ao se iniciar um Ritual. Eu mesma, quando
inicio Rituais e Vivências Tântricas, costumo evocar toda
Ancestralidade desta Egrégora (muito embora seja uma prática incomum
nos dias de hoje, mas sinto a importância e faço- qualquer pessoa um
pouco sensível nota a diferença quando as energias naturais são
evocadas e respeitadas).
Os rituais são geralmente em círculos em ambas as culturas. No
xamanismo temos a “Roda de Cura” ou “Roda Medicinal” e no Tantra o
Chakra Puja em grupo que é também uma prática circular secreta (hoje
em dia, nem tanto). Aliás, o círculo representa o Universo, sem
começo e nem final, mas também representa a mulher, cujo corpo é
naturalmente curvilíneo. O nu é bem visto e sagrado, pois se leva em
conta que foi assim que nascemos. Sem máscaras.
Compartilha- se de alimentos, cantos, danças e bebidas nos rituais,
mas as frutas são unânimes, pois possuem representação espiritual
para todas as tres culturas, justamente porque são alimentos
provenientes da terra.
A energia manipulada durante um ritual pode levar os participantes a
transes e alterações de consciência. Para o Tantra a celebração é
uma constante, dança-se, canta-se e entoam-se os mantram (sons de
poder) que fazem entrar em êxtase e sentir esta união com o Todo. Na
realidade para nenhuma dessas culturas, existe separação entre o
homem e o Universo. O que há, nos dias de hoje, é um ressurgimento
de ambas com uma linguagem um pouco diferente a fim de ajudar o
homem a relembrar tudo isso, haja visto que com o advento do
Cristianismo, durante milênios foi-se proibido declarar-se “bruxo,
xamã ou tântrico”, bem como de expressar a religiosidade livremente,
o que fez com que muita gente se esquecesse da sua ligação com o
Divino e passasse a ver-se como algo separado do resto da
Existência. Hoje ainda existem leis que nos proíbe de usar a palavra
“cura” remetendo-nos ao curandeirismo, como se houvesse algo de
errado em buscar o equilíbrio por meio de ervas, cantos, rezas e
banhos!
A Grande Mãe é ao mesmo tempo “entidade” e “energia” como é também
Kundalini Shakti para os tântricos, energia sustentadora da vida que
se manifesta em tudo e é tida como deusa. O homem viril deve
experimentar das águas dessa fonte feminina para despertar o poder
das emoções, da intuição e do amor.
No Tantra, a principal representação de virilidade é o deus Shiva.
Shiva representa a sacralização da sexualidade e a transmutação das
energias. Mas apesar de uma divindade masculina, seu corpo é
curvilíneo como de uma mulher, lembrando a importância da energia
feminina na criação do homem. Afinal, é de um ventre feminino que
sai o homem!
Na Bruxaria Antiga, o deus viril é o deus cornudo, correspondente
tanto do Profano, quanto do Sagrado. Qualquer semelhança com (nosso)
Deus Shiva não é mera coincidência! Se fossem homens ambos seriam
uma espécie de homens “alfa”. Viris, fortes, poderosos, mas ao mesmo
tempo, gentis e amorosos.
As tres tradições estão renascendo, com algumas mudanças (pois o
mundo também mudou muito), mas o bom é saber que podemos falar em
assuntos como rituais de amor, cura, ou fertilização sem correr o
risco de sermos jogados nas fogueiras. E mais, perceber que tudo o
que é Verdadeiro, se repete em vários cantos do mundo, recebe nomes
diferentes e se adapta à cultura local, mas lá no íntimo é uma coisa
só. A prova de que o "Todo" está em "Tudo". |