Tantra - O Caminho da
Aceitação
O Tantra diz para aceitar tudo o que você é. Você é um grande
mistério de muitas energias multidimensionais; aceite isso e se
porte com cada energia com uma profunda sensibilidade, com
consciência, com amor, com compreensão. Mova-se com ela! Então cada
desejo se torna um veículo para ir além, cada energia se torna uma
ajuda; então este mesmo mundo é o nirvana e este mesmo corpo é um
templo, um templo sagrado, um lugar sagrado.O Tantra diz que não
existe nenhuma dualidade. Se existir a dualidade, você não pode
uni-las e, não importa quanto você tente, elas permanecerão duas;
não importa como você as uma, elas permanecerão duas e a luta
continuará, o dualismo permanecerá.Se o mundo e o divino são dois,
então eles não podem ser unidos. Se eles não forem realmente dois,
se apenas aparentarem ser dois, só então podem ser um. Se o seu
corpo e sua alma forem dois, então eles não poderão se unir; se você
e Deus forem dois, não haverá possibilidade de uni-los; eles
continuarão sendo dois.O Tantra diz que não há dualidade, que ela é
apenas uma aparência. Portanto, por que ajudar a aparência a se
fortalecer? O Tantra pergunta por que ajudar essa aparência a de
dualidade a se fortalecer?Dissolva-a neste exato momento! Seja
um!Através da aceitação você se torna um, e não através da luta.
Aceite o mundo, aceite o corpo, aceite tudo o que for inerente a
ele. Não crie um centro diferente em você mesmo, pois para o Tantra
esse centro diferente nada mais é do que o ego. Não crie um ego e
simplesmente fique consciente do que você é. Se você lutar, então o
ego estará presente.O Tantra diz para não lutar! Então não há
possibilidade para o ego... Se entendermos o Tantra, haverá muitos
problemas, porque para nós, se não houver luta, haverá apenas
permissividade. Para nós, nenhuma luta significa permissividade. Mas
para o Tantra a permissividade então é a “nossa” permissividade. O
Tantra diz para ser permissivo, mas com consciência.Você está com
raiva... O Tantra não dirá para não ficar com raiva, mas para ficar
inteiramente com raiva, mas esteja consciente. O Tantra não é
contrário a raiva, mas é apenas contrário ao estado de sono
espiritual e à inconsciência espiritual. Esteja consciente e esteja
raivoso, e este é o segredo do método: se você estiver consciente, a
raiva é transformada e se torna compaixão. A mesma raiva, a mesma
energia, se tornará compaixão.Se você lutar com ela, não haverá
possibilidade de acontecer a compaixão. Assim se você for bem
sucedido em lutar, em reprimir, será uma pessoa morta. Não haverá
raiva porque você a reprimiu, mas também não haverá nenhuma
compaixão, porque somente a raiva pode ser transformada em
compaixão. Se você for bem sucedido em sua supressão, o que é
impossível, então não haverá sexo, mas também não haverá amor,
porque com o sexo morto, não há energia para crescer em amor. Você
ficará sem sexo, mas também ficará sem amor, e então todo o ponto é
perdido, porque sem amor não hã divindade, sem amor não há
libertação, sem amor não há liberdade.O Tantra diz que essas mesmas
energias dever ser transformadas; em outra palavras: se você for
contra o mundo, não haverá nirvana, porque esse mesmo mundo é o que
deve ser transformado no nirvana. Então você estaria contra as
energias básicas que são a fonte. Dessa maneira, a alquimia tântrica
diz para não lutar, para se amigável com todas as energias que lhe
foram dadas. Acolha-as, sinta-se grato por você sentir raiva, por
você ter sexo, por você ter ganância. Sinta-se grato porque essas
são as fontes ocultas, e elas podem ser transformadas, podem ser
abertas. E, quando o sexo é transformado, ele se torna amor, e o
veneno desaparece, o que é feio desaparece.A semente é feia, mas
quando se torna viva, ela brota e floresce, e então há beleza..Para
o Tantra, tudo é sagrado. Lembre-se disto: para o Tantra tudo é
sagrado, nada é profano. Olhe para isso desta maneira: para uma
pessoa irreligiosa, tudo é profano; para uma pessoa pretensamente
religiosa, uma coisa é sagrada e outra é profana. O Tantra diz que
tudo é sagrado, e é por isso que não podemos entendê-lo. Ele é o
ponto de vista não-dual mais profundo – se pudermos chamá-lo de
ponto de vista. Ele não é, porque todo ponto de vista fatalmente é
dual. Ele não é contra coisa alguma; portanto, não é um ponto de
vista, mas uma unidade sentida, uma unidade vivida.
(Osho – texto extraido do Livro: Tantra
o caminho da aceitação)